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Soja e algodão: parceria de sucesso para o agricultor brasileiro

Amélio Dall’Agnol e Alexandre Cattelan, pesquisadores da Embrapa Soja

O sistema de produção mais utilizado no Brasil é a semeadura da soja na primavera seguida pelo cultivo do milho ou algodão no verão, estabelecendo um duplo cultivo no ano, na mesma área.

O sistema soja/milho safrinha está mais generalizado, em contraste com sistema similar que envolve o cultivo do algodão em sucessão à soja. No sistema soja/milho safrinha, a semeadura do cereal pode estender-se desde o final de dezembro, quando podem ocorrer – a depender da região – as primeiras colheitas da soja, até meados de março. Considerando que a produtividade do milho safrinha tende a diminuir com o avanço da estação, o produtor deve procurar estabelecer a cultura da soja com cultivares precoces, semeadas o mais cedo possível na primavera (setembro/início de outubro), para que possa inserir o plantio do milho safrinha dentro de uma janela adequada para o alcance de boa produtividade.

PARCERIA DE SUCESSO NA COLHEITA

Nas lavouras produtoras de algodão do Cerrado, as áreas de soja colhidas até final de janeiro são prioritariamente utilizadas para o estabelecimento de lavouras de algodão, porque sua janela de plantio é mais estreita (dezembro/janeiro) do que a do milho safrinha (final de dezembro a meados de março). Nessa região, o plantio do milho safrinha é postergado para semeaduras a partir de fevereiro, podendo estender-se até meados de março, período durante o qual o cultivo do algodão não seria recomendado.

Eventualmente, o algodão poderá ser estabelecido como primeira safra, quando o início das chuvas da primavera atrasa, retardando a semeadura e, consequentemente, a colheita da soja, o que inviabiliza o estabelecimento da lavoura de algodão dentro da sua melhor janela (dezembro/janeiro). Em tais circunstâncias, áreas que seriam cultivadas com soja na primavera são trocadas pelo algodão 1ª safra porque este, via de regra, dá mais lucro do que a soja sem o algodão como segunda safra.

O algodão, igual acontece com a soja, tem sua demanda vinculada a vários produtos derivados: fibra, óleo e farelo. No entanto, seu óleo e farelo, em contraste com o óleo e farelo da soja, são menos valorizados e a quantidade produzida menor, porque depende da demanda pela fibra, que é o carro chefe do algodão. A demanda pela fibra de algodão é limitada pelas necessidades das indústrias de confecções, que podem saturar-se com facilidade, pois não se consome tanto fio de algodão para produzir tecidos quanto se consome farelo de soja para produzir carnes.

Os excelentes resultados da última safra (2018) levaram o Brasil à condição de 2º produtor mundial, superando a China e a Austrália de uma só vez. O entusiasmo se justifica, considerando que a demanda pela fibra está aquecida pelos novos consumidores do sudeste asiático (Indonésia, Bangladesh, Vietnam, Paquistão e Turquia) e os preços de mercado estão satisfatórios. No entanto, dada a demanda mais restrita de algodão em contraste com a de soja, o Brasil não pode lançar-se numa aventura produtiva exagerada.

O país foi um grande produtor de algodão na década de 1970, quando cultivava 4 milhões de hectares. Hoje, cultiva pouco mais de um quarto desse montante, mas produz quatro vezes mais, porque a produtividade passou de 200 kg/ha de pluma, para 1.708 kg/ha (Conab 2018); cerca de nove vezes mais. Nos anos 70, a produção concentrava-se em pequenas propriedades da região sul, cuja colheita era predominantemente manual.

Atualmente, o algodão predomina no Cerrado do Mato Grosso, da Bahia, e de Goiás, principalmente, onde seu processo produtivo ganhou escala e sofisticação tecnológica. O regime de chuvas do Cerrado beneficia o algodão brasileiro, pois seu desenvolvimento ocorre durante o período úmido e amadurece em pleno período seco, resultando em produto de ótima qualidade, razão pela qual é muito valorizado pelo mercado nacional e internacional.

O crescimento da economia estimula o aumento da demanda pelo algodão, pois com mais dinheiro no bolso a população tende a gastar mais com roupas, cuja matéria prima principal são as fibras de algodão.

Fonte: https://blogs.canalrural.uol.com.br/embrapasoja/2019/01/10/soja-e-algodao-parceria-de-sucesso/

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Cotações

Soja - Bolsa de Chicago
Fonte: CME Group
Contrato - Mês Fechamento (US$ / Bushel) Variação (cents/US$) Variação (%)
Janeiro/19 9,0475+4,25 +0,47
Março/19 9,1800+4,25 +0,47
Maio/19 9,3150 +4,50 +0,49
Julho/19 9,4300 +4,25 +0,45
0
Fech. 17/12/2018
Milho - Bolsa de Chicago
Fonte: CME Group
Contrato - Mês Fechamento (US$ / Bushel) Variação (cents/US$) Variação (%)
Março/19 3,8400-0,75 -0,19
Maio/19 3,9175-0,50 -0,13
Julho/19 3,9825 -0,50 -0,13
Setembro/19 3,9975 -0,25 -
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Fech. 17/12/2018